domingo, 12 de abril de 2026

FICHAMENTO "LIÇÕES DE ARQUITETURA"

 "Lições de Arquitetura", de Herman Hertzberger


A- Domínio Público


  1. Influência dos usuários:

  • Grau de acesso (diferenciação territorial)

  • Demarcações territoriais (público/privado)

  • Organização da manutenção (zoneamento territorial)

  • Divisão das responsabilidades


- Resumo com exemplo: Um funcionário de um edifício comercial pode personalizar seu cantinho (mesa/escritório), desde que essa liberdade seja dada a ele. Esta deve ser transmitida pela arquitetura de forma explícita, não do tipo de chegar alguém e falar “você pode por uma plantinha aqui se quiser”. Essa liberdade do usuário de influenciar o espaço depende dos tópicos citados acima, como: se há uma área demarcada como dele, se ele tem acesso total à área, se ele sente que aquele espaço é de seu uso privado e não coletivo, se a organização é de responsabilidade dele. Quando esses requisitos são cumpridos, é natural que o usuário passe a influenciar na decoração do ambiente, e assim ele “evolui” para o nível de morador, criando uma relação próxima e afetiva com o edifício. Vale ressaltar que nem toda organização preza e permite essa liberdade, algumas empresas podem ser bem rígidas e padronizadas em seu interior.


2. Intervalo:

  • Transição entre áreas

  • Espaço intermediário entre a rua e o domínio privado

  • Elemento de hospitalidade na arquitetura

  • Exemplos: soleira, entrada coberta, meia-porta, alpendre


3. A rua

 - desvalorização da rua em função de: 

  • Aumento do tráfego motorizado

  • Incentivo ao individualismo + aumento da largura das ruas = diminuição do contato e dependência para com os vizinhos

  • Maior qualidade das casas = mais tempo em casa, menos na rua


- A rua deve ser projetada pelo arquiteto para ser um espaço comunitário, de convivência



B- Criando espaço, deixando espaço


  1. Interpretação:

  • A estrutura se mantém ao mesmo tempo em que se adapta para variadas situações e usos

  • Templos em Bali 🠒 ajustes temporários; usos diferentes da mesma construção ao longo do dia

  • Competência Desempenho

  • Competência: capacidade da forma de ser interpretada

  • Desempenho: modo pelo qual a forma foi interpretada em certa situação


  1. A estrutura:

  • Urdidura: espinha dorsal; estrutura coletiva; cria coerência

  • Trama: interpretações individuais; expressão pessoal

  • “O tema estrutural correto não restringe a liberdade, mas conduz à liberdade!”


  1. A grelha:

  • Organização de quadras padronizadas 🠒 distribuição de terras

  • Essa organização pode conduzir à opostos: monotonia ou variedade

  • Possibilidade de expansão de edifícios variados a cada quadra

  • Equilíbrio entre regulamentações e liberdade de escolha


  1. Polivalência:

  • Uso da flexibilidade para combater a rápida obsolescência dos “prédios funcionais”

  • Entendimento de que não há um estado permanente, o mundo está em fluxo constante e tudo é temporário

  • Polivalência: forma que sirva para vários usos sem ser alterada


- “O excesso pode ser tão ruim quanto a extrema limitação”

Conclusão: com a frase acima, conclui-se que a liberdade pessoal do usuário no uso do edifício é importante, porém seu excesso pode resultar em um espaço caótico e desarmônico. O equilíbrio e regulação dessa expressão é dada pelo formato de grelha e pela polivalência, que são técnicas aplicadas de forma medida pelo arquiteto. É função do arquiteto abrir espaço para a interpretação e expressão individual, tendo de incentivar o uso e a personalização do espaço, ao mesmo tempo em que mantém tudo equilibrado e dentro de certas regras e limites gerais.


C- Forma convidativa


  1. Lugar e articulação

  • Dimensões corretas: considerar a função do espaço para determinar seu tamanho, buscando comodidade e conforto

  • Fornecer o lugar: “Faça de cada coisa um lugar, faça de cada casa e de cada cidade uma porção de lugares, pois uma casa é uma cidade minúscula e uma cidade é uma casa enorme” - Aldo van Eyck, 1962

  • Articulação: a relação de um grupo com o espaço e entre si muda de acordo com a articulação do ambiente, podendo criar uma relação centralizada, individualizada ou coletiva


  1. Visão I

  • Equilíbrio entre visão e reclusão, abertura e separação

  • Uso de níveis, sacadas, elevações, etc., que criam certos graus de isolamento de áreas, mas não total

  • Responsabilidade da arquitetura sob as relações sociais que se darão no espaço projetado de acordo com a visão e posição de cada indivíduo em relação aos outros e ao seu entorno


  1. Visão II

  • “Trazer o mundo exterior para dentro”

  • Integração do interior com o exterior

  • Uso de janelas, aberturas de vidro, entrada de luz

  • Busca pela harmonia, participação e leveza no ambiente e nas relações


  1. Visão III

  • “Janela para o mundo”

  • Adequação ao tempo, estações e situações

  • Valorização de transparência, funcionalidade e detalhes estruturais

  • Busca por clareza e consciência do ambiente, dos elementos que o compõem e do porquê de cada um

  • Relação, harmonia e conexão entre as partes


  1. Equivalência

  • Simetria dos elementos e acessos ao edifício

  • Quebra da hierarquia de importância e desigualdade social

  • Importância e preferência são relativas à situação e ao indivíduo

  • Arquitetura convidativa


Conclusão: a forma convidativa da arquitetura se refere à participação do indivíduo com o espaço e com os outros indivíduos que circulam por ali, de modo que ambos possam se relacionar, se ver e, ao mesmo tempo, ter sua privacidade garantida. O equilíbrio é a palavra chave do capítulo, visando o conforto do usuário e a quebra da comodidade que o isolamento no espaço privado proporciona. A relação interpessoal é altamente valorizada e deve ser incentivada pela arquitetura, se opondo ao extremo individualismo que vem sendo incorporado na arquitetura contemporânea atual. A noção do que acontece ao seu redor não deve se perder por paredes que bloqueiam toda a visão externa.


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