No dia 2 de abril de 2026, fui à duas exposições no CCBB junto com meus colegas de turma. A primeira foi a exposição de Marlene Barros, intitulada "Tecitura do feminino". Foi uma exposição muito impactante para mim, suas composições em forma de crochê, bordado, colagens e esculturas transmitiram mensagens sobre e para as mulheres, e eu senti o impacto de cada uma. A violência, a beleza, a biologia feminina, todas as facetas que fazem parte da nossa realidade como mulher, seja a parte boa e bela ou o sofrimento que nos acompanha por todas as fases da vida... Algumas obras, em específico as representações do interior feminino, transmitiram ao certo desconforto à primeira vista, mas refletindo sobre o por quê dessa sensação, entendi que não passava de um reflexo do tabu e da vergonha que, por algum motivo, nos é ensinada a sentir sobre nosso próprio corpo. Por isso, após uns poucos minutos naquela sala com órgãos femininos perfeitamente feitos em crochê, o sentimento se tornou conforto e um certo alívio de poder ver a natureza feminina representada de forma tão delicada e natural, o que é uma raridade.
É claro, uma exposição tão sensível não teria sido feita por ninguém se não por uma mulher, e admiro muito o trabalho que Marlene Barros trouxe ao CCBB, e foi a oportunidade muito tocante e significativa vê-la rodeada de várias outras mulheres que, sem dúvida alguma. também se identificaram e se sensibilizaram com a obra tanto quanto eu. Basicamente, essa exposição foi muito acolhedora e especial de se ver, me trouxe reflexões e o sentimento de não estar sozinha nos sofrimentos femininos que inevitavelmente aparecem em minha vida (e na vida de todas as outras mulheres, acredito), e eu espero que mais pessoas vão ver essa exposição e reflitam um pouco sobre nós, sobre elas.
Em contraste ao sentimentalismo da primeira exposição, subi algumas escadas e fui para a segunda, chamada "MEME: no Br@sil da memeficação". Aqui larguei todas as reflexões e apenas me diverti com as imagens, memes, esculturas e referências culturais retiradas diretamente do Twitter. Essa é uma exposição que eu nunca esperei ver, cheia de vídeos engraçados, ícones da comédia brasileira, memes muito antigos (da época do ORKUT !!) e outros recentes que uso todo dia na internet. Enquanto andava pelas obras, tudo era piada, mas o que me surpreendeu ali foi a profundidade que a exposição foi tomando, até que chegamos a críticas sociais e políticas disfarçadas em ironia e MUITO sarcasmo. Essas características tornam os memes mais do que "apenas piada", demonstrando como essas imagens bobas são uma forte forma de expressão social, cultural e política.
Essa exposição foi mesmo incrível, me proporcionou risadas e várias sensações e, diferente do que eu esperava no início, trouxe também reflexões sobre o mundo contemporâneo e a "era da internet" em que vivemos atualmente. Ao fim da visita, voltei para casa cheia de fotografias e pensamentos que começaram a se desenvolver na exposição de Marlene, quase perderam o rumo com os memes mas, com um pouco de pensamento crítico, se conectaram em minha mente e me ocuparam por toda a tarde. Pode parecer impossível, mas eu consegui ver semelhanças e fazer algumas associações entre as duas exposições, embora a abordagem e proposta delas sejam bem diferentes.
Independente da forma como cada artista se expressa, e da mensagem que ele quer passar, vi que o importante na arte é tornar o conteúdo acessível ao público e tocar alguma parte do nosso cérebro, seja por identificação ou por gerar curiosidade ao desconhecido. No meu caso, ambas as exposições me conquistaram pela identificação que tive com as obras, pois ambos os assuntos fazem parte de minha vivência, o que acho que foi o motivo para eu ter gostado tanto. A imersão foi total e a conexão imediata, essas exposições foram tão para mim que me senti em casa. (>.<)
Nenhum comentário:
Postar um comentário