"Animação Cultural" - Flusser, 1998
- Mesa redonda
- Objeto equilibrado- Permite posições equivalentes e equidistantes- Centralização de debates- Auto-denominada presidente do grupo revolucionário de objetos
- Declaração dos Direitos Objetivos: protesto contra o domínio dos humanos sobre os objetos
Superioridade da objetividade em relação à animalidade
+
Fenômenos animados → biologia, antropologia e ciências inexatas (manifestação da vontade de sustentar livros)
=
Objetos como animação programadora do comportamento humano
A humanidade vive em função dos objetos
“A nossa função, os objetos, é animar a humanidade, programá-la.” → função filantrópica dos objetos para com os seres humanos
Interpretação:
Os objetos foram criados pelos seres humanos para facilitar a vida, o que naturalmente indica uma subordinação destes diante dos humanos. No entanto, olhando para o período atual, cada vez mais as pessoas estão dependentes de seus objetos, subvertendo a relação inicial. Como exemplo, atualmente é quase impossível viver sem aparelhos que necessitam de energia elétrica, aparelhos celulares, etc., pois estes foram criados com propósito de facilitar questões de alimentação, conforto, comunicação, entre outras funções. Assim, no mundo pós revolução industrial, a relação humano X objeto se tornou essencial e indispensável para nossa sobrevivência.
Ao ler esse texto, fiz uma associação a um conteúdo de biologia do ensino fundamental: relações ecológicas; nesse caso, o mutualismo. Basicamente, dos dois tipos de mutualismo encontrados na natureza entre diferentes espécies, podemos dizer que a relação inicial dos humanos com objetos era semelhante à protocooperação, onde a troca de interação não era obrigatória para a sobrevivência mas trazia facilidade às espécies. Posteriormente, a relação mudou para um estado de simbiose, que se refere à dependência permanente para a sobrevivência dos seres humanos no mundo atual. A diferença é que os objetos por si não são espécies e não dependem dos seres humanos para “viver”, apenas para serem criados (embora o texto atribua vida própria e voz à mesa e aos outros objetos). Portanto, nota-se que nossa relação com os objetos é de um nível ainda mais grave de dependência do que a simbiose da natureza, pois enquanto nós devemos nossa vida aos objetos, eles não ganham nada com nossa presença e, de certa forma, estão nos dominando com isso, exatamente como o texto (a mesa) afirma.
"A ficção como cesta: uma teoria" - Ursula K. Le Guin
Nova perspectiva sobre o primeiro objeto que possibilitou a sobrevivência e evolução da vida humana na Terra
Substituição da lança (violência) pelo recipiente (proteção)
A garrafa como herói → recipiente que armazena o alimento necessário para a sobrevivência dos humanos
História do Herói/Assassino → botulismo, violência, morte, lanças, homens
História vital → vida, colheita, romances, mulheres
Conflito como elemento mas não único propósito da narrativa
Interpretação:
Esse texto traz uma perspectiva feminina e feminista sobre as histórias que são contadas sobre o modo como os seres humanos sobreviveram e evoluíram em um mundo pré-histórico e hostil. Para sua subsistência, são sempre destacadas as caças a animais enormes, o que elevou a importância de lanças e armas para nossa evolução. No entanto, a autora pensa por outro lado e apresenta um objeto que, muitas vezes, sequer nos lembramos do quão importante era e ainda é em nossas vidas: os recipientes. Cestas, garrafas, potes, tudo aquilo capaz de armazenar e conservar alimentos para períodos frios, para manter o excesso de alimento limpo para consumo ao longo dos dias. Quando ela cita o recipiente como primeiro objeto cultural e o mais essencial para a evolução, parece algo óbvio, mas nos faz tomar conta de que não costumamos colocar algo tão simples em uma posição de tamanha importância. Ela discute que a razão disso está no modo como as histórias são contadas, colocando sempre o homem como o Herói que sai para caçar com sua lança, mas e então? Como e onde ele leva toda essa carne para sua família se alimentar por vários dias? O recipiente esteve ali o tempo todo e não teve seu devido reconhecimento, mas ele é reverenciado agora neste texto. A preferência por histórias épicas e emocionantes é criticada por Ursula, que põe o romance e a ficção científica como oposição aos contos heroicos, destacando também o papel feminino das histórias, que, assim como a cesta, passa despercebido mas é de extrema importância. Em analogia: a mulher é a cesta; o homem é a lança.
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