"Teoria do Não-Objeto" - Ferreira Gullar
GLOSSÁRIO - NOVOS CONCEITOS
Objeto: objeto em si; coisa real.
Quase-objeto: representação de um objeto real; figurativo ou abstrato; ocupa um espaço determinado pela moldura/base; "de fora para dentro", buscando uma nova significação.
Não-objeto: não representa nada; aparecimento primeiro de uma forma; se apresenta ocupando o espaço; “irrompe de dentro para fora”.
MORTE DA PINTURAOs objetos começam a se dissolver em manchas; a pintura figurativa e a fidelidade ao mundo natural perdem valor e as pinturas começam a anunciar a abstração.
As obras de Monet se caracterizam por formas figurativas, mas não perfeitamente representadas através do realismo, mas sim com "manchas de cor". Essa pode ser considerada a primeira fase que anuncia a abstração, forma de arte que chegaria alguns anos depois.
O cubismo revela o andamento da arte até alcançar a abstração, pois os artistas passaram a se desvincular da condição natural dos objetos, transformando-os em formas geométricas e atribuindo uma nova natureza ao objeto de referência.
O NÃO-OBJETO
Não-objetos:
Broadway Boogie-Woogie (Mondrian)
Victory Boogie-Woogie (Mondrian)
Merzbau (Kurt Schwitters)
Blague (Marcel Duchamp)
Obras que apresentam afinidade:
Contra-relevo de Tatlin X Escultura de Pevsner
Quadro de Lygia Clark X Escultura de Amilcar de Castro
Características do não-objeto:
Ausência de moldura/base - "Quando o problema da representação é ultrapassado, a moldura e a base perdem a função" (pág.92)
Fora dos limites convencionais da arte - "Obras [...] que trazem essa necessidade de deslimite como a intenção fundamental de seu aparecimento" (pág.90)
Não representa nada, apenas se apresenta - "A obra aparece pela primeira vez livre de qualquer significação que não seja a de seu próprio aparecimento" (pág.90)
Convida à ação/interação - "O espectador é solicitado a usar o não-objeto. A mera contemplação não basta para revelar o sentido da obra – e o espectador passa da contemplação à ação" (pág.94)
O que NÃO É um não-objeto:
Obras de Mondrian, Malevitch e Kandinsky: embora sejam obras abstratas, as formas, linhas e cores substituem e fazem alusão a objetos reais. As representações podem ser metafóricas e não óbvias, mas a intenção de representação existiu pelo artista.
Qualquer obra sem moldura ou base: retirar esses elementos de uma obra figurativa/abstrata não a transforma em não-objeto, pois é necessário que a arte tenha sido criada sem o apoio desses elementos.
O que diferencia a arte abstrata do não-objeto: !!
A abstração é a representação de um objeto real; o não-objeto não representa nada.
A arte abstrata é confinada em uma moldura e, mesmo ao retirá-la, ainda não haveria comunicação da obra com o mundo exterior; o não-objeto não se confina e se comunica/integra ao espaço exterior.
O fundo da arte abstrata é metafórico; o do não-objeto é o espaço real, o mundo (o não-objeto transcende o espaço ao se inserir radicalmente nele).
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