quarta-feira, 15 de abril de 2026

FICHAMENTO "TEORIA DO NÃO-OBJETO"

"Teoria do Não-Objeto" - Ferreira Gullar


GLOSSÁRIO - NOVOS CONCEITOS

  • Objeto: objeto em si; coisa real.


  • Quase-objeto: representação de um objeto real; figurativo ou abstrato; ocupa um espaço determinado pela moldura/base; "de fora para dentro", buscando uma nova significação.


  • Não-objeto: não representa nada; aparecimento primeiro de uma forma; se apresenta ocupando o espaço; “irrompe de dentro para fora”.



MORTE DA PINTURA

Os objetos começam a se dissolver em manchas; a pintura figurativa e a fidelidade ao mundo natural perdem valor e as pinturas começam a anunciar a abstração.

Impression, soleil levant
(Impressão, Nascer do Sol)
Claude Monet. 1872




As obras de Monet se caracterizam por formas figurativas, mas não perfeitamente representadas através do realismo, mas sim com "manchas de cor". Essa pode ser considerada a primeira fase que anuncia a abstração, forma de arte que chegaria alguns anos depois.


Auto-retrato
Pablo Picasso. 1907












O cubismo revela o andamento da arte até alcançar a abstração, pois os artistas passaram a se desvincular da condição natural dos objetos, transformando-os em formas geométricas e atribuindo uma nova natureza ao objeto de referência.



Piet Mondrian.









As obras de Mondrian representam um grande passo para a desvinculação dos objetos reais, através de suas obras cubistas e neoplasticistas. Ele se livra da forma e da cor do objeto, sobrando-lhe uma tela em branco que ele preenche de linhas e cores primárias. Ainda assim, essa arte não se configura como não-objeto, pois segue confinada às bordas da moldura.


O NÃO-OBJETO

  • Não-objetos:


  • Broadway Boogie-Woogie (Mondrian)




  • Victory Boogie-Woogie (Mondrian)




  • Merzbau (Kurt Schwitters)




  • Blague (Marcel Duchamp)



A obra acima (Blague de Duchamp) é um exemplo de ready-made, técnica que consiste em deslocar um objeto de sua função ordinária, de modo a revelar este objeto e estabelecer novas relações.


  • Obras que apresentam afinidade:


  • Contra-relevo de Tatlin X Escultura de Pevsner





  • Quadro de Lygia Clark X Escultura de Amilcar de Castro 




A pintura e a escultura começam a convergir a um mesmo ponto, afastam-se de suas características originárias. Com isso, tornam não-objetos na medida em que deixam de se encaixar nas características de sua denominação inicial.


  • Características do não-objeto:


  • Ausência de moldura/base - "Quando o problema da representação é ultrapassado, a moldura e a base perdem a função" (pág.92)


  • Fora dos limites convencionais da arte - "Obras [...] que trazem essa necessidade de deslimite como a intenção fundamental de seu aparecimento" (pág.90)


  • Não representa nada, apenas se apresenta - "A obra aparece pela primeira vez livre de qualquer significação que não seja a de seu próprio aparecimento" (pág.90)


  • Convida à ação/interação - "O espectador é solicitado a usar o não-objeto. A mera contemplação não basta para revelar o sentido da obra – e o espectador passa da contemplação à ação" (pág.94)



  • O que NÃO É um não-objeto:


  • Obras de Mondrian, Malevitch e Kandinsky: embora sejam obras abstratas, as formas, linhas e cores substituem e fazem alusão a objetos reais. As representações podem ser metafóricas e não óbvias, mas a intenção de representação existiu pelo artista.


  • Qualquer obra sem moldura ou base: retirar esses elementos de uma obra figurativa/abstrata não a transforma em não-objeto, pois é necessário que a arte tenha sido criada sem o apoio desses elementos.



  • O que diferencia a arte abstrata do não-objeto: !!


  • A abstração é a representação de um objeto real; o não-objeto não representa nada.


  • A arte abstrata é confinada em uma moldura e, mesmo ao retirá-la, ainda não haveria comunicação da obra com o mundo exterior; o não-objeto não se confina e se comunica/integra ao espaço exterior.


  • O fundo da arte abstrata é metafórico; o do não-objeto é o espaço real, o mundo (o não-objeto transcende o espaço ao se inserir radicalmente nele).

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